(16) 3964-6780
(16) 99332-9943
IRPF 2026: Como declarar financiamento de imóveis sem erro na evolução patrimonial

IRPF 2026: Como declarar financiamento de imóveis sem erro na evolução patrimonial

Resumo do conteúdo

Na prática, declarar imóvel financiado no IRPF 2026 (exercício 2026, ano-calendário 2025) não é “declarar a dívida”: é declarar o bem e atualizar o valor do imóvel pelo custo efetivamente pago, seguindo a lógica patrimonial da Receita. Isso evita inconsistência de evolução patrimonial e reduz risco de cair em malha por “valor do imóvel” incompatível com sua capacidade de pagamento.

Além disso, o IRPF 2026 tem regras operacionais claras sobre prazo, plataformas e responsabilidades do contribuinte (inclusive quando usa pré-preenchida).

Onde lançar o imóvel financiado no programa da declaração

A Receita orienta que bens imóveis devem ser informados no patrimônio (Bens Imóveis), com descrição completa do bem, titularidade (titular ou dependente), forma de aquisição, condôminos/usufruto, área e demais dados relevantes.

Se você estiver usando o Meu Imposto de Renda (online), o imóvel aparece como um “patrimônio” e pode ser importado pela pré-preenchida quando já existia no ano anterior, mas a conferência/ajuste continua sendo sua responsabilidade.

Como funciona o valor do imóvel: custo de aquisição, não “valor de mercado”

Aqui está o ponto que mais gera erro:

  • O valor do imóvel não é atualizado por valorização do mercado.
  • O valor só muda quando há novo gasto que compõe o custo de aquisição.

O próprio manual da Receita, no tópico de “Eventos do Patrimônio”, é direto: o valor de bens imóveis e móveis somente deve ser atualizado se no ano-calendário houve gasto que faça parte do custo; se não houve novos custos, o valor fica fixo.

Ou seja: no IRPF 2026, você vai refletir o que foi pago em 2025 (entrada, parcelas, amortizações, recursos usados etc.) dentro do custo do bem.

O que entra no custo do imóvel financiado no IRPF 2026

Pense em duas camadas:

  • Camada do bem (imóvel): tudo que aumenta seu investimento no imóvel.
  • Camada do financiamento (contrato): informações que explicam a forma de pagamento, mas o foco é o custo.

Na prática, costuma compor o custo do imóvel (e, portanto, aumentar o valor declarado em 31/12):

  • Entrada paga ao vendedor/incorporadora
  • Parcelas pagas no ano (parte “principal” embutida nelas)
  • Amortizações extraordinárias (quando você antecipa saldo)
  • Custos de aquisição documentáveis relacionados à compra (ex.: certos custos necessários para formalização/transferência, quando suportados por você e vinculados à aquisição)

O manual do Meu Imposto de Renda prevê inclusive um evento específico para isso: “Acréscimo de Pagamentos de Financiamento ou Parcela”, permitindo informar mensalmente ou lançar uma única data (por exemplo, 31/12 do ano-calendário) com o total pago no ano.

Dica operacional: se você paga mensalmente, pode lançar mês a mês; se quer simplificar, some o total pago no ano e lance em 31/12/2025, desde que tenha os comprovantes.

O que escrever na discriminação para financiamento de imóvel

A “Descrição/Discriminação” é onde você reduz ruído e explica o cenário. O manual da Receita recomenda detalhar forma de aquisição e outras informações necessárias.

Em um financiamento típico, vale constar (de forma objetiva):

  • Tipo do imóvel (apartamento/casa/terreno etc.), endereço e dados de registro (matrícula, cartório, se tiver)
  • Forma de aquisição: “adquirido por financiamento imobiliário”
  • Nome e CNPJ/CPF do vendedor (quando aplicável) e do agente financeiro (banco)
  • Data do contrato/assinatura e data de entrega/posse (quando relevante)
  • Percentual de participação se houver co-titular (ex.: 50% / 50%)
  • Em 2025: mencionar que houve pagamentos de parcelas/amortizações e que o valor informado em 31/12 corresponde ao custo acumulado pago até aquela data

Isso ajuda a Receita a entender por que o bem está sendo “construído” financeiramente ao longo do tempo.

Como preencher “Situação em 31/12/2024” e “Situação em 31/12/2025”

Aqui está o passo a passo mais seguro para IRPF 2026 (ano-calendário 2025):

  • Situação em 31/12/2024:
    • Se você ainda não tinha o imóvel: normalmente fica zero (ou em branco, conforme o sistema).
    • Se já tinha e já vinha pagando: é o custo acumulado até 31/12/2024.
  • Situação em 31/12/2025:
    • Pegue o valor anterior (custo acumulado até 2024)
    • Some tudo que efetivamente aumentou seu custo em 2025 (entrada, parcelas, amortizações etc.)
    • O resultado é o custo acumulado até 31/12/2025

Esse raciocínio está alinhado à regra operacional do manual: o valor do bem só muda com eventos que somam ou reduzem o custo e, no caso de financiamento, existe o evento de acréscimo por pagamentos.

Financiamento em andamento: preciso declarar também em “Dívidas e Ônus Reais”?

No preenchimento online (Meu Imposto de Renda), a Receita trata a dinâmica do financiamento dentro do próprio patrimônio, via evento de “Acréscimo de Pagamentos de Financiamento ou Parcela” no bem.

Na prática, isso evita duplicidade (bem de um lado e “dívida” do outro) e mantém a lógica patrimonial centrada no custo do imóvel. Quando há situações específicas (por exemplo, contratos atípicos, cessões, repasses complexos), o ideal é revisar o caso com suporte contábil para não criar inconsistência.

Imóvel comprado em conjunto: como dividir no IRPF 2026

Quando o imóvel tem dois compradores (casal, parentes, sócios), o princípio é simples:

  • Cada um declara a sua parte do bem (por exemplo, 50%).
  • Cada um aumenta o seu custo na mesma proporção do que pagou.

Se apenas um dos dois declara o bem (por estratégia de declaração em conjunto, por exemplo), a descrição deve indicar os condôminos e a origem dos recursos, para ficar coerente com a realidade. O manual enfatiza informar dados sobre condôminos e forma de aquisição na descrição.

E quando eu usei FGTS para comprar ou amortizar?

Se você utilizou FGTS (para entrada, amortização ou redução de parcelas), isso normalmente representa recurso seu aplicado no imóvel. O mais importante é manter:

  • comprovantes do uso do FGTS
  • coerência entre a evolução do bem e sua movimentação financeira

Na lógica do manual, o que interessa é que houve “novo gasto” compondo o custo e que isso seja refletido no valor do imóvel.

Imóvel na planta e financiamento: como tratar no ano da compra

Em imóvel “na planta”, pode acontecer de:

  • haver pagamentos à incorporadora durante a obra
  • o financiamento bancário começar depois (ou em paralelo)

A regra operacional continua a mesma: o valor do bem vai sendo formado pelos pagamentos que compõem o custo. Se em 2025 você pagou sinal, parcelas da obra, evolução de obra/financiamento, esse total tende a compor o custo acumulado.

O que muda é a qualidade da descrição: detalhe que o imóvel está em construção, informe a incorporadora e o contrato, e mantenha a trilha de pagamentos.

Erros comuns que fazem o financiamento “dar problema” na malha

Alguns deslizes são clássicos:

  • Informar valor de mercado no lugar do custo
  • Atualizar o bem “no chute”, sem lastro em pagamentos
  • Não ajustar corretamente quando usa pré-preenchida (aceitar dados sem revisar)
  • Declarar valores pagos em duplicidade (por exemplo, lançar em mais de um lugar)

O próprio material de apoio do IRPF 2026 reforça que a pré-preenchida é um facilitador, mas a responsabilidade pela conferência e correção é do contribuinte.

Prazos e plataforma: não deixe o financiamento virar correria de última hora

No IRPF 2026 (ano-calendário 2025), o prazo de entrega foi definido entre 23/03/2026 e 29/05/2026, até 23h59min59s (horário de Brasília).

Se você declara por PGD ou pelo Meu Imposto de Renda, o ponto central é: organize antes os comprovantes do financiamento (extratos anuais, demonstrativos do banco, boletos, amortizações, FGTS), porque o preenchimento do bem depende dessa soma anual.

Resumindo: o checklist rápido do financiamento de imóvel no IRPF 2026

  • Declare o imóvel em Bens e Direitos/Patrimônio (Bem Imóvel)
  • Mantenha o valor pelo custo acumulado pago, sem atualizar por mercado
  • Em 2025, some entrada + parcelas + amortizações e lance como acréscimo de pagamentos (evento do patrimônio)
  • Capriche na descrição (forma de aquisição, banco, vendedor/incorporadora, condôminos)
  • Revise a pré-preenchida: ela ajuda, mas você responde pelo que entregar

Se você quer declarar seu financiamento de imóvel no IRPF 2026 com segurança (sem inconsistência de patrimônio, sem duplicidade e com a descrição “à prova de malha”), fale com a Ceribelli Contabilidade. A gente revisa sua documentação, confere a evolução do bem e entrega uma declaração alinhada às orientações oficiais da Receita.

Ricardo Ceribelli
Ricardo Ceribelli

Contador e sócio na Ceribelli Contabilidade desde 2008. Especializado em gestão contábil, tributária e financeira para Micro e Pequenas Empresas. Busca inovar os processos contábeis através da inteligência artificial para ajudar empresas a crescerem com segurança.

Related Posts